Nildo Ouriques, o retórico.
Nildo Ouriques 🤔
Nildo Ouriques é um importante militante de esquerda e razoável conhecedor de autores latino americanos, o que não significa que os compreenda. Nildo resgata importantes autores para pensarmos a realidade brasileira e continental, porém, nos parece que esse resgate padece de atualizações a luz das mudanças ocorridas a partir da reestruturação produtiva do capital no final do século XX e que desembocou em uma nova etapa de acumulação desse mesmo capital chamada de mundialização. Neste sentido, entendemos que não é mais possível pensar a América Latina com os parâmetros e as ferramentas dos anos 60 e 70 como por exemplo os movimentos nacionalistas aos quais os autores ventilados por Nildo estão filiados. O nacionalismo revolucionário que ele propala, mas que tem muita dificuldade em definir, nos parece um profundo anacronismo e uma forma de pensar o mundo a partir de fórmulas vencidas e historicamente superadas. Penso que na atual etapa do capital , como disse Chasin, na qual é preciso agir localmente, mas pensar globalmente, aliás, fórmula já defendida por Marx em A Ideologia Alemã quando apontava a superação do capital a partir de um processo mundial e jamais meramente local. E a pensar pelas Revoluções Russa, Chinesa, Cubana etc, o velho Marx tinha razão. Como ele mesmo disse, revoluções locais seriam sufocadas pelo intercâmbio mundial e toda a “velha merda retornaria”. Neste caso Marx foi profético! Outra fragilidade do pensamento do Nildo é seu desconhecimento da propriedade social como cerne do horizonte marxiano. Nildo, sempre que colocado diante da pergunta chave sobre o que fazer no futuro imediato desemboca no estatismo e no vazio da mobilização das massas. Digo vazio porque antes de mobilizar é preciso ter o que dizer para as massas que serão mobilizadas; é preciso ter um programa revolucionário que efetivamente mobilize essas massas.
O camarada Nildo foi do PT até 1998 quando teria rompido em função da quinada a direita do partida naquele momento. Não identificamos essa mudança na trajetória petista na data assinalada por Nildo. O PT manteve-se fiel aos seus princípios e ao seu horizonte do nascedouro aos dias atuais. Desde de sempre um partido antimarxista, nunca adotou a perspectiva revolucionário até porque não foi para isso que veio ao mundo, sempre apostou no parlamento e no aperfeiçoamento da política e do Estado. Neste sentido, nunca enganou ninguém, seus críticos é que se enganaram quando embarcaram na canoa petista sem perceberem o destino fixado no tabuleiro de embarque (Humanizar o Capitalismo), e esse nos parece o caso do Nildo. Por outro lado Nildo menospreza o assistêncialismo petista classificando pejorativamente como “digestão moral da pobreza”, algo que não nos parece adequado dado o impacto que isso causou para milhões de miseráveis que passaram a se alimentar, foram inseridos no consumo e passaram a ter acesso a serviços públicos antes quase impossível, como foi o caso da Educação de nível superior. Assim o assistencialismo petista merece críticas e não são poucas, mas ignora-lo e não reconhecer sua profunda importância não nos parece posicionamento adequado para um pensador latino-americano. Nildo ainda nos parece ter uma ideia genérica de socialismo quando aponta esse caminho, parece não perceber as mediações necessários para se atingir determinados fins. Precisamos olhar para a realidade para dela extrair as possibilidades que ela nos oferece, nem sempre as mais generosas, mas é aí que entra em cena o papel ativo da subjetividade. Tenho a impressão que Nildo com sua retórica estridente produz muito mais barulho do que geração de consciência nas massas que ele pretende mobilizar. Nada disso tira do camarada Nildo a condição de uma das figuras mais importantes da esquerda brasileira!
Regis Marat
E o Rubens Enderle que estudou com chasin e virou olavete? É tanto Anticomunismo que da nisso sempre
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